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Quercus e Zmar

 O que é o investimento em capital natural?

A componente de investimento em capital natural (ou de contra-pegada) deverá prever investimentos por parte do Zmar em conservação e recuperação de ecossistemas, numa lógica de compensação em metros quadrados ou hectares, com base na fórmula de cálculo da Pegada Ecológica. A contra-pegada é um conceito ligado em parte à superfície ecologicamente produtiva de um país ou região. Considerando que é fundamental que as organizações reduzam a sua pegada sendo mais eco-eficientes (isto é, se o valor de um produto ou serviço aumenta produzindo o mesmo impacte ou, de igual modo, se o seu valor se mantém constante e diminui o impacto ambiental), considera-se igualmente positivo que disponham de espaços naturais ou invistam na sua conservação, permitindo que as conversões deste tipo de superfície reduzam a pegada e afectem positivamente a atmosfera, a hidrosfera e a biodiversidade. No fundo, trata-se de um compromisso voluntário positivo em termos de sustentabilidade, em que, por exemplo, zonas húmidas ou bosques que a organização possua ou ajude a gerir contribuem para contrariar uma parte da pegada, pois são consideradas contra-pegada. Tendo por base o princípio de que quem usufrui dos serviços fornecidos pelos ecossistemas e pela biodiversidade deve compensar de forma voluntária quem cuida, a Quercus sugere que o valor a investir na manutenção dos serviços ecológicos vitais seja, pelo menos, correspondente a uma parcela equivalente a 12% da pegada estimada para a organização. Este valor correlaciona-se com a superfície mínima ecologicamente produtiva reservada à biodiversidade que, de acordo com o Relatório Brundtland, deverá ser gerida activamente para garantir a conservação da totalidade dos recursos vivos e genéticos do planeta. Acresce que o papel de cada ecossistema na prestação dos serviços ecológicos vitais deve ser objecto de uma majoração em função do seu contributo global. Logo, o efeito do investimento em acções de conservação num único hectare (10 000 m2) contribuirá para a redução da pegada da organização tendo em conta os seguintes factores de valorização:

    Bosques                                      2,69
    Formações herbáceas e matos        2,72
    Pauis, charcos e turfeiras               9,71
    Sapais                                        4,95           
    Rios e lagos                                 5,11
    Ecossistemas agro-pastoris            1,38

Imaginemos que a organização tem uma pegada de 50 hectares e gostaria de reduzi-la em 50%. Como sugestão, e por forma a investir em diversos habitats, ao Zmar bastaria investir apenas em 4 hectares de acordo com o seguinte modelo:

    2 hectare de bosques                              – 5,38
    1 hectare de pauis, charcos ou turfeiras     – 9,71
    2 hectares de rios e lagos                        - 10,22
    Total contra-pegada                                - 25,31 hectares

E no caso de haver gestão de ecossistemas com cobertura arbórea ou arbustiva (parcial ou total), também compensará nas emissões de CO2, considerando a taxa de absorção de 167 tCO2/ha em 40 anos.
Assim sendo, a título de exemplo, várias intervenções para conservar a biodiversidade na Costa Sudoeste poderão ser efectuadas no âmbito da parceria Quercus - Zmar, considerando que são um investimento em capital natural.

Quanto às actividades de conservação da biodiversidade na Costa Sudoeste susceptíveis de serem efectuadas no âmbito da parceria Quercus - Zmar, de acordo com as disponibilidades orçamentais anuais, sugerimos, a título indicativo, as seguintes:

• Conservação e reprodução em cativeiro do escalo do Mira (Squalius torgalensis) e de boga do Sudoeste (Iberochodrostoma almacai) para futuros repovoamentos – esta acção está já em curso e deve ser destacada no site – fotos dos dois peixe seguem em anexo;

• Conservação e valorização das lagoas temporárias;

• Criação de micro-reservas para a conservação da flora endémica da Costa Sudoeste;

• Conservação dos povoamentos vegetais das margens da ribeira do Torgal e do escalo do Mira e boga do Sudoeste (espécies de peixes endémicas do Sudoeste do país, classificadas como "Criticamente em Perigo");

• Conservação de áreas dunares ameaçadas;

• Definição e implementação de medidas de valorização e de protecção dos bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda, ocupados por Zostera marina, Z. noltii e Cymodocea nodosa no estuário do Mira;

• Monitorização dos peixes migradores no estuário do Mira e conservação dos respectivos locais de desova.


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